Libertação no lugar de uma política de confronto
Costumo dizer que ao longo de 26 anos na cobertura de temas ligados à segurança pública e criminalidade jamais encontrei movimento social mais inclusivo do que o do Rio de Paz, que luta pela redução dos homicídios no país e, especialmente no Rio de Janeiro, conquistou a mídia também por apresentar a estética da violência com cruzes, rosas, balões e faixas pretas. O movimento não apenas ouve representantes de todos os setores da sociedade - dos policiais aos acadêmicos - como é um dos poucos da sociedade civil que deu um sentido mais amplo e mais últil à expressão "direitos humanos". Outro dia, o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, foi ao enterro de um PMs executados na Lagoa, onde a ONG colocou a faixa "Mataram aqui dois seres humanos que trabalhavam em condições desumanas".
Na semana passada, discretamente, o líder do Rio de Paz esteve reunido com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que concedeu espaço na sua agenda para ouvir o clamor do movimento. O encontro resultou num momento que considero histórico para a luta contra a violência no estado. O secretário aceitou a proposta de diálogo permanente entre a cúpula da segurança e a sociedade, por meio de um fórum organizado pelo Rio de Paz, periodicamente, com participação de representantes da sociedade, que inclui gente da polícia, da academia e da imprensa. Se este governo está aberto a ouvir a sociedade sobre que polícia ela quer, é possível também que a sociedade seja convocada a participar do processo de busca por soluções para a segurança e não fique mais na confortável posição de platéia, só cobrando providências do poder pública.
Em artigo exclusivo para este blog, o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirma que é preciso trocar a política de confronto por uma política de libertação, no combate ao crime nas favelas. No artigo, ele faz uma pergunta simples que já deveria ter sido respondida até mesmo por pesquisadores da área de segurança: "Por que não há um investigação séria e eficaz nas vias de acesso da cidade? Por que transferir o trabalho de apreensão para as comunidades pobres apenas?"
Conheça aqui e agora um pouco mais do pensamento de Antônio Carlos que já respondeu inclusive a perguntas de leitores do GLOBO sobre o movimento. Assim como eu, Costa não é contra o confronto entre polícia e criminosos, mas sim contra a transformação desse ponto na principal política da segurança pública.
Clique aqui para ler a entrevista com Antônio Carlos Costa
Jorge Antônio Barros
Blog Repórter do Crime - O Globo Online