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Gláucio Soares: “Dados devem ser usados para salvar vidas”

Na segunda feira, dia 14, foi a vez do sociólogo Gláucio Soares, do IUPERJ, participar do Ciclo de Debates "1 hora pela vida" promovido pelo Rio de Paz na Praia de Copacabana.

Iniciou a palestra falando que 2007 teria sido um ano bom pro Rio na questão da segurança pública - homicídios e roubos de veículos em queda -  se os dados divulgados não fossem apenas parciais. Lamentou muito o fato de as delegacias ainda não serem todas informatizadas, como as Delegacias Legais. Mesmo assim, salientou que os índices de homicídios e roubo de carros são os mais difíceis de ser subnotificados, por causa do cadáver, e do seguro do automóvel, respectivamente.

Disse que em São Paulo os dados são mais transparentes e divulgados com mais rapidez. Aproveitou para elogiar a queda dos homicídios em São Paulo, atribuindo-os basicamente à postura do Governo de fazer mudanças na polícia (tese também defendida pelo pesquisador Cláudio Beato). Mas também falou de iniciativas muito bem sucedidas como a "Lei Seca" aplicada em Diadema, que reduziu drasticamente o número de homicídios.

Segundo ele, os homicídios tiveram crescimento linear no Brasil, ano a ano, desde o fim do Regime Militar, só havendo uma pequena tendência de queda a partir de 2003, com a criação do Estatuto do Desarmamento. Quando questionado sobre as alterações que querem fazer no Estatuto, Soares foi categórico: "é um retrocesso. Isso é coisa do 'lobby da bala' ". E emendou lembrando que pode acontecer o mesmo que aconteceu com o Código Nacional de Trânsito, que reduziu bastante o número de vítimas quando foi implementado, mas que mudanças no Código fizeram com que esses números voltassem a crescer.

Aliás, esse foi o foco da palestra: mostrar que os dados devem ser utilizados para salvar vidas, e que várias iniciativas aplicadas a partir da análise dos dados podem servir para mudar a realidade de uma cidade, estado ou país. Como ele disse: "Sem dados, não há pesquisa. Sem pesquisa, não há conclusão. Sem conclusão, só existe chute".

Citou o exemplo de Bogotá, onde medidas como combate à corrupção policial e às bebidas alcoólicas ajudaram a reduzir muito a violência. No caso de Bogotá um fator de sucesso foi a continuidade dos projetos em sucessivas administrações. Outras cidades copiaram o exemplo de Bogotá e reduziram também a violência. Mencionou também experiências bem sucedidas de combate ao consumo de bebidas alcoólicas por motoristas no Governo Cristóvam Buarque (do qual fez parte) e que reduziram pela metade as vítimas fatais de acidentes. E defendeu uma participação mais forte do Estado na questão da violência contra a mulher. Segundo ele, se a polícia demonstrasse estar de olho no marido agressor logo na primeira agressão, ele se sentiria intimidado e muitos homicídios seriam evitados.

Quando perguntado sobre a importância da Educação, respondeu que ela é a base de tudo. E que é muito mais importante prevenir do que punir. Aproveitou para terminar a palestra deixando uma questão em aberto, para reflexão:

"O que tenho feito para contribuir com o aumento ou diminuição da violência? Tenho sido um bom cidadão? Tenho ajudado alguém menos favorecido? Alguma ação minha contribui para o  aumento ou diminuição da violência? Alguma omissão minha contribui para que a violência aumente?"

Texto: Gustavo Pereira

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