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Rio de Paz chega à favela
No Dia dos Mortos, o Rio de Paz manifestou ontem, mais uma vez, sua preocupação com os vivos. Com o apoio de várias entidades de luta contra a violência, a ONG - que se notabilizou por suas manifestações marcadas pelo que eu chamei de estética da violência - pela primeira vez foi fazer um protesto em favela, fora da orla de Copacabana, onde o movimento nasceu, em janeiro de 2007. Pena que ninguém viu lá aquelas pessoas que se queixavam que o Rio de Paz só ficava de frente pro mar. Munidos de cruzes e do painel que revela a conta macabra, de 20.255 mortes violentas em mil dias, desde 2007, os voluntários do Rio de Paz provaram que a cidade é muito mais do que litoral. Chegaram aos sertões da cidade, a menos de dez quilômetros do Centro, em Manguinhos. A favela se chama Mandela III, onde, semana passada, mais um jovem de 15 anos foi morto no meio de um tiroteio entre bandidos e a tropa de elite da PM. Poderia dar nome à série de terror, mas é só uma singela homenagem ao líder político que lutou contra o apartheid, na África do Sul. Uma das centenas de comunidades pobres do Rio dominadas pelo narcotráfico, que não vê cara nem coração, usa a população como escudo e acaba deixando inocentes no meio do fogo cruzado com a polícia. Os policiais, por sua vez, gostam de dizer que não têm sangue de barata e mandam chumbo em cima da bandidagem, sem se importar que, entre o ricochetear das balas, existe gente de carne e osso, vivendo em condições precárias.
     
 

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