Quem Somos
Contexto cultural do Brasil

I. Um estado paralelo está sendo criado ao lado do estado de direito. Há sinais claros de que a sociedade está se organizando para fazer justiça com as próprias mãos. A probabilidade de isso se tornar praxe e desembocar numa guerra civil não deve ser menosprezada.

II. Existe o problema da corrupção endêmica e institucional da nossa nação aliada à impunidade. Vivemos num país onde o crime compensa. Criminosos que matam impiedosamente, empresários que corrompem sem remorso e políticos que saqueiam o bem público sem o mínimo senso de vergonha porque sabem que não serão punidos.

III. Tudo isto representa uma grande ameaça para a democracia. Percebe-se que muitos brasileiros estão expressando uma saudade da ditadura. É freqüente ouvir gente dizer que 'no período da ditadura não era assim. A situação criada está levando o país a esse tipo de pensamento, um cenário perfeito para que surja um ditador propondo "botar ordem na casa".

IV. A banalização da vida humana se tornou parte da cultura nacional.

V. A ausência de esperança de mudança deixa a sociedade civil imobilizada.

VI. A falta de conhecimento do funcionamento do estado faz com que milhares de homens e mulheres de bom coração do nosso país não saibam como participar.

VII. A desmobilização da sociedade faz com que não haja uma ampla conjugação de esforços por parte do povo.

Por isso, desejamos levar os cidadãos de nosso país a considerarem os seguintes fatos:

I. Não devemos esperar a tragédia alcançar a nossa família para sermos pacificadores.

II. O jogo político-eleitoral tem minado a liberdade de ação dos nossos governantes. Muitos sabem o que devem fazer, mas não podem. Estão presos, sujeitos as táticas de intimidação dos que conhecem o caminho que aqueles tomaram para chegar ao poder. O Presidente da República, numa entrevista recente, disse que todos praticam esse jogo. Sem participação popular não haverá solução. Temos que acompanhar de perto as ações do governo, apoiá-lo em toda iniciativa que vise o cumprimento da constituição federal e defesa da vida, e não tolerarmos atrasos na peleja contra a barbárie ou cumplicidade com o crime.

III. O protesto nas ruas é um meio democrático e eficaz de transformação. Os franceses o chamam de "le pouvoir de la rue", o poder da rua. Nações desenvolvidas sabem disso e o praticam até hoje. O Greenpeace, por exemplo, surgiu de um protesto contra testes nucleares dos EUA no Alasca, em 1971. Doze americanos que fugiram para o Canadá por não concordarem com a política dos EUA organizaram o protesto, navegando até lá para impedi-los. Os testes nucleares no local foram suspensos, e a região foi transformada em um santuário de pássaros.

IV. A organização da sociedade para a participação pacífica dá-se de modo simples. Igrejas, associações de moradores, uniões de estudantes e até torcidas de futebol podem ser organizar para a batalha em favor da vida.

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